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Mulheres no mercado de trabalho: os desafios e conquistas de cada faixa etária

Atualizado: Abr 16


A participação das mulheres no mercado de trabalho apresenta uma constante crescente. De 2012 a 2018, foram mais de duas milhões de novas pessoas do sexo feminino ocupando postos remunerados, segundo dados divulgados pelo IBGE.

Contudo, apesar da expressividade do número, o cenário atual ainda está longe do ideal. O mesmo relatório aponta que a força de trabalho ainda é dominada pelo sexo masculino, que representa mais de 50% das posições. Não suficiente, a discrepância salarial entre gêneros chega a ser de 30%, analisando cargos similares. E este são apenas alguns dos desafios enfrentados diariamente.



A ascensão histórica das mulheres no mercado de trabalho


Quando analisamos os ambientes de trabalho hoje, olhamos para os lados e nos deparamos com diversas mulheres. Porém, o que parece ser algo natural é, na verdade, bastante recente.


As primeiras pesquisas, no Brasil, indicando uma ascensão considerável da presença feminina nos postos de trabalho são da década de 70, apenas. Ou seja, menos 50 anos atrás! Antes disso, apesar da participação das mulheres no mercado de trabalho, sua representatividade era em torno da prestação de serviços, como trabalhos domésticos, e no comércio.


Mesmo com essas conquistas, os esforços em busca de direitos, igualdade de gêneros perante questões salariais e oportunidades reais de crescimento por meritocracia são constantes. Fato é que, mesmo representando mais de 50% da população do País, as mulheres são, hoje, pouco mais de 40% da força econômica ativa total no Brasil.


Os desafios das mulheres em cada faixa etária


Apesar das conquistas com o passar dos anos e do ganho de reconhecimento da necessidade de equivalência no mercado de trabalho, as mulheres ainda enfrentam muitos desafios em diversas esferas.

Eles podem ser apresentados de forma generalizada, como questões referentes a preconceitos, assédio sexual, moral e ausência de referências ou modelos de gestão do sexo feminino. Porém, também podem trazer especificidades a depender da faixa etária.


A mulher entre 20 e 30 anos de idade


Entre os 20 e os 30 anos de idade, os profissionais estão em fase de entrada e maturação. A busca pelas primeiras oportunidades, em um mercado onde o machismo está culturalmente entranhado, é cercado de desafios sexistas que podem beirar o absurdo.


A fala mais fina e o rosto mais jovial, em muitos casos, começam a apontar as primeiras dificuldades. Para alguns cargos e setores, os entraves surgem com argumentos de que os aspectos físicos possam comprometer negociações, levando em consideração a aparência de fragilidade.


Ainda por questões de gênero, a beleza pode acabar também por ser um impedimento nas contratações. Segundo um estudo da Universidade de Bem-Gurion, em Israel, o preconceito com as mulheres no mercado de trabalho não é ilusório nessa faixa etária.


Apesar de conclusões também sexistas trazidas no documento, a análise levou em consideração currículos com competências similares, todos com fotos. Como resultado, dados apontaram que mulheres de beleza considerada mediana têm o dobro de oportunidades de entrevistas de emprego que as “mais bonitas”.


É também nessa faixa etária que as mulheres iniciam a estruturação de suas famílias, o que leva a preconceitos e diferenciações nas tratativas nitidamente. Nas entrevistas, questões como estado civil, tempo de relacionamento e desejos relacionados à gestação são sondados.


Apesar de os motivos não serem apresentados como óbvios, os interesses subjetivos em relação ao esforço do trabalho feminino nas empresas, relacionado ao tempo necessário de dedicação em casa, entram nas análises para contratação. Principalmente considerando o fator gestacional - ausência da empresa durante a licença maternidade, além das possíveis complicações durante o período de gravidez, maior esforço e dedicação aos filhos após o nascimento.


Todas estas questões minam qualquer outro olhar qualitativo sobre as mulheres no mercado de trabalho, mesmo com superqualificações. Isso, aliado à falta de referências femininas de peso em cargos de liderança, acabam por retardar a desconstrução cultural sexista no ambiente corporativo.


Os desafios das mulheres 40 anos+


Após os 40 anos os desafios tendem a mudar um pouco, mas permanecem atrelados ao viés cultural do ambiente sexista.


Um estudo realizado para uma tese de Doutorado na FGV, e divulgado pela Revista Exame, abordando as primeira mulheres executivas prestes a se aposentar no Brasil (2017), indicou as dores latentes e os desafios enfrentados pelas mulheres no mercado de trabalho.


Apesar das experiências iniciais em épocas ainda mais difíceis que as atuais, os relatos trazem clareza sobre a necessidade de maior esforço do sexo feminino para provarem seu valor. A priorização dos homens nas escolhas para vagas e promoções acaba por forçá-las a criar personagens.


Ser menos “simpáticas”, usar roupas mais formais, abrir mão da vida pessoal e alterar o tom de voz para construção de um posicionamento mais “firme” fazem parte do desenho da figura masculinizada que a mulher precisa desenvolver para ser melhor aceita.


Nessa fase, geralmente, é comum a grande parte das mulheres já terem suas próprias famílias constituídas. Outras dividem a rotina com o cuidado com os pais, já em idade avançada. Ambas as situações demandam certo tempo e disponibilidade, o que acaba criando barreiras similares às das mais jovens.


A idade também pesa quanto a busca e necessidade de transformações ágeis, em um mundo VUCA (Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade, já traduzido). O mercado com necessidades de inovação acaba olhando para gerações mais novas, visando inventividade e produtividade. Com isso, desconsidera o poder de atualização e mutação dessas profissionais que, aliado à experiência que possuem, poderiam levar os negócios a outro patamar.


Como podemos observar, independentemente da faixa etária, grande parte dos desafios apresentados estão diretamente relacionados a questões sexistas, excluindo conhecimentos, habilidades, atitudes, valores e emoções. Isso mostra como ainda há um longo caminho a percorrer em busca da igualdade não só salarial, mas também de direitos e oportunidades.


E você, como vê as conquistas das mulheres no mercado de trabalho? Quais desafios considera mais representativos na luta do sexo feminino por mais espaço, reconhecimento e direitos? Conte para a gente nos comentários!



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